VARNHAGEN, Francisco Adolfo de., História Geral do Brasil

Identificador: 
RB-245
Autor: 
VARNHAGEN, Francisco Adolfo de.
Título: 
História Geral do Brasil
Tipo: 
Dados da publicação: 
VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História Geral do Brasil – Antes da sua separação e independência de Portugal; revisão e notas de J. Capistrano de Abreu, Rodolfo Garcia. Vol. 1. Tomo I e II. 10ª edição integral. Belo Horizonte: Editora Itatiaia Limitada; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1981
Observações: 
Según VAinfas en . "Tempo dos Filipes no Brasil colonial: enfoques historiográficos, possibilidades de investigação". Revista Maracanan, Rio de Janeiro, n. 16, p. 14-33, jan/jun, 2017: "O principal historiador brasileiro do século XIX, Francisco Adolpho de Varnhagen considerou o “tempo dos Filipes” como um período crucial de nossa história entre finais do século XVI e meados do XVII. Em sua História Geral do Brasil, dedicou ao período filipino dois capítulos ou seções do primeiro tomo, oito do segundo e quatro do terceiro, embora, nestes últimos, a cronologia corresponda aos anos da ocupação do Nordeste pelos holandeses (1630-1654). No entanto, como é típico da obra varnhageana, a história do Brasil é contada a partir da ação dos governadores, com ênfase nos episódios militares, nas expedições em busca de minas de ouro ou prata, na guerra contra nativos hostis, no combate aos europeus que disputavam o litoral com os portugueses – em especial os franceses, desde o século XVI, e os holandeses, no século XVII. Considerava-os como estrangeiros, porque tinha para si que o Brasil era português. Em todo caso, se Varnhagen considerava que o Brasil era português, não haveria de admitir que se tornasse castelhano, tampouco que o próprio reino lusitano sucumbisse, como sucumbiu, ao expansionismo filipino. Entendia que a União Ibérica fora, antes de tudo, uma imposição de Felipe II, primeiramente pela invasão comandada pelo duque de Alba, logo reforçada pelo “apoio de uma nobreza egoísta e pouco patriótica”. Quanto ao Brasil colonial, insistiu em que este “continuava uma colônia de Portugal”, fiando-se nas tecnicalidades do acordo de Tomar (1581), no qual o rei espanhol foi aclamado pelas cortes portuguesas com o título de Filipe I, respeitando-se a autonomia formal do reino. O fato é que, apesar de oferecer excelentes pistas sobre a ação colonizadora da monarquia hispânica no Brasil, Varnhagen lastima a União Ibérica, sublinhando que a nova dinastia pouco fez para defender a costa brasileira, ao priorizar a fortificação da porção hispano-americana mais antiga, de onde vinha a prata do México e do Peru. Lastima também que, ao sujeitar-se ao domínio filipino, Portugal herdou os diversos inimigos de Castela, entre os quais os Países Baixos liderados pela Holanda, potência marítima em ascensão. É a este imbróglio que Varnhagen atribuiu o sucesso da conquista flamenga, por ele definida como “invasões holandesas”. Nada poderia ser pior para Varnhagen: sujeição da metrópole lusa aos castelhanos e dominação holandesa do Nordeste brasileiro. Como se já existisse, no século XVII, o Brasil de seu tempo, o imperial. Mas não resta dúvida de que Varnhagen se empolgou com este assunto, a ponto de aprofundá-lo, anos depois, em livro exclusivo. Na História Geral, descreveu e celebrou, em vários capítulos, a luta contra os holandeses, irrompida em 1645, vitoriosa em 1654. Do mesmo modo, destacou “o grande acontecimento da restauração de Portugal” (1640), sugerindo um nexo entre a ascensão da casa de Bragança, no reino, e a expulsão dos holandeses de Pernambuco Um nexo discutível, vale dizer, em diversos aspectos. No conjunto, a União Ibérica foi um acidente, segundo Varnhagen, que repercutiu negativamente no Brasil, mas foi corrigido entre 1640 e 1654.
Universidad de Salamanca
Ministerio de Economía y Competitividad
Datos cartográficos de Atlas Digital da América Lusa