Navio (II) da Companhia de Jesus

Identificador: 
TR-17
Observaciones: 

“Acharam os Padres que era mais útil possuir navio próprio, construindo-o à sua custa e aplicando depois à manutenção dele o subsídio de El-Rei. Para ser menos oneroso, começaram também a receber passageiros, que pagariam o respectivo frete. Pareceu ao Geral que era maneira de negociar e ordenou a Anchieta que o vendesse. Em carta de 15 de janeiro de 1582, recebida em Roma a 20 de julho, punha Anchieta as suas dificuldades. Era este um dos pontos que o Visitador levava para resolver no Brasil. O P. Gouveia, feitas as consultas do estilo e vendo que até a gente de fora reconhecia vantagem em se manter a embarcação, determinou que se não vendesse, e organizou ele próprio o modo como se havia de proceder daí em diante: "Havendo navio de casa, como é bem que haja, em que o Padre Provincial visite a Província, não se levem nele mulheres. E a matalotagem, assim para os Padres e Irmãos como para os marinheiros e moços de navio, se fará à custa do Colégio para onde for; e, depois de chegados, se sustentarão uns e outros à custa do mesmo Colégio; e somente se porá em conta à custa de toda a Província o que se gastar em benefício do navio e em soldadas dos marinheiros, que nele servem. O preço das coisas, que derem, será o que lhes custaram, e as que se não compraram, se darão pelo mais baixo da terra e as coisas miúdas não se devem levar em conta. O gasto, que assim se fizer por conta de toda a Província, se compensará com os fretes tanto das pessoas como das demais coisas, que forem para cada Colégio, e, quando os fretes não bastarem, se repartirá o gasto pro rata pelos três Colégios, ao cabo de cada ano, à razão de sessenta ao Colégio da Baía, cinquenta ao do Rio de Janeiro e vinte ao de Pernambuco; e de cada Colégio pro rata darão os escravos necessários para o governo e serviço do navio”. 

Em 1592, havia dois navios da Companhia: um em que viajou o P. Marçal Beliarte, quando foi visitar o Rio de Janeiro, e "outro navio da mesma Companhia", que foi tomado e saqueado pelos corsários ingleses. Este fato de ser tomado pelos corsários um navio da Companhia fez que o P. Beliarte pensasse em arranjar outro mais ligeiro. Vendeu, portanto, o que tinha e mandou fazer um, com seis remos por banda, menor, para em caso de necessidade, durante as calmarias, escapar aos corsários.”

 

Leite, Serafim, História da Companhia de Jesus no Brasil - Vol. 1 (Tomos 1, 2, 3), p. 61.

Cómo citar esta entrada: 
SATLER, Fabiano Aguilar. "Navio (II) da Companhia de Jesus". En: BRASILHIS Database: Redes personales y circulación en Brasil durante la Monarquía Hispánica, 1580-1640. Disponible en: https://brasilhis.usal.es/es/transporte/navio-ii-da-companhia-de-jesus. Fecha de acceso: 07/12/2022.