Diogo Manuel

Identificador: 
P-6135
Nombre: 
Diogo
Apellidos: 
Manuel
Asunto: 
Género: 
Masculino
Fecha de nacimiento: 
1586
Lugar de nacimiento: 
Vizcaya
Fecha de defunción: 
14/11/1632
Lugar de defunción: 
Lisboa
Cristiano nuevo: 
No
Observaciones: 

D. Diogo Manuel, natural de Vitória, Vizcaya. Era cirurgiao e morador na Bahia de Todos os Santos, Brasil. Cristao-velho acusado de sodomia. Foi preso na Bahia, pela primeira vez, acusado de sodomia, por acusaçoes (falsas, segundo ele) de sua mulher, Ana Ribeira (crista-velha), antes da morte do bispo Marcos Teixeira. Estava divorciado, na época da primeira prisao. Informa que havia se casado contra sua vontade, no Brasil, conseguindo logo em seguida, a sentença favorável do divórcio.

O processo é bastante longo e os documentos apresentam várias partes deterioradas (bastante ilegível). De sua vida (parte genealógica) consta que era viscaíno, nascido na cidade de Vitória. Tinha 46 anos, na data do depoimento (20/08/1632). Filho de Dom Francisco Manuel e de D. Maria de Gusmao (parte ilegível). Menciona os nomes dos avós paternos e nao lembrava dos maternos. Era batizado e crismado e sabia rezar em latim. Saiu de Vizcaya com 4 ou 5 anos, quando falecera sua mae, e foi com seu pai viver em Barcelona. Dali foram para Messina (Sicília), onde esteve até seus 12 anos. Nesta época, faleceu seu pai. Ele foi viver em Salamanca, onde aprendeu a arte da cirurgia. Depois foi para Madri, onde foi examinado e aprovado para exercer o ofício. Depois disso, afirmou que viveu um tempo em Sevilha. Depois residiu no Peru, de onde se deslocou para a regiao do Rio da Prata. Deste lugar foi para a Bahia, onde foi preso.

Sobre a acusaçao, as negou quase até o final. Confirmou haver cometido o "pecado nefando" com sua mulher, depois das admoestaçoes. Posteriormente, voltou a negar. Afirmava que as acusaçoes eram falsas e eram feitas pela inimistade que sua ex-esposa tinha contra ele. As acusaçoes feitas por sua mulher, incluiam também que havia cometido o mesmo "pecado" com outras mulheres. O cirurgiao alegava que as acusaçoes haviam sido feitas devido a desavenças entre ele e sua ex-mulher e membros da família dela.

O processo começou na Bahia, onde foi preso por primeira vez. Foi solto no período dos ataques holandeses à cidade da Bahia, em 1624. Deste período, havia documentos, que foram perdidos. Informou que, enquanto esteve preso, padeceu inúmeras incomodidades.
“Dom Diogo Manuel estrangeiro e casado nesta Bahia, em vida do Reverendo Bispo Dom Marcos Teixeira de Mendonça foi preso pelo pecado nefando. E foi solto com os mais presos na entrada dos holandeses tendo os bens confiscados por esta causa por ordem do juiz do fisco o desembargador Martim ... Coelho. Recuperada a Cidade, este homem tirou carta de seguro e se apresentou ante mim por se livrar de culpas que estão perdidas. E as não havia”.
Esteve esperando por quase dois anos a sentença, já que nao havia um letrado que pudesse conduzir o processo, conforme aponta o Vigário Geral Manoel Temudo, em 1626.
Depois de solto, reincidiu na mesma culpa. Foi preso novamente em 1628. Tinha como testemunhas de acusaçao, além da ex-esposa, o pai da esposa, um genro, Domingos Pereira, além de outras mulheres e cunhadas.

Aponta alguns inimigos seus que testemunharam contra ele: Pero de Sousa, Pero Dias de Guimaraes, Ana Ribeira, Laurença (escrava de Gonçalo Roiz, seu sogro), Gracia Capegipis (negra forra) e dois mulatos. Estes últimos haviam sido induzidos a testemunhar contra Diogo Manuel, por Domingos Pereira, seu ex-cunhado. Além deste ainda menciona como inimigos a Joana Ribeira (degredada) e Bras da Costa Cirne.

No dia 15/11/1632, foi Estevao da Costa (alcaide dos cárceres) indo "dar os bons dias aos presos", achou a Dom Diogo Manuel, preso na quarta casa (do corredor de baixo), "dependurado pelo pescoço de uns cordeis de linhas" que estavam "atados na grade mais de cima da dita quarta casa". Entre as testemunhas do ocorrido estava um José Carreiras (notário), que afirmou que "conhecia ao preso assim enforcado". Sobre o motivo, afirmavam que nao sabiam a causa porque, no dia anterior, "mostrava o preso estar alegre".

Referencias Documentales
Cómo citar esta entrada: 
"Diogo Manuel". En: BRASILHIS Database: Redes personales y circulación en Brasil durante la Monarquía Hispánica, 1580-1640. Disponible en: https://brasilhis.usal.es/es/personaje/diogo-manuel. Fecha de acceso: 20/07/2024.